“...vamos ter novidades. Já sabe que eu nunca me meto em política, mas não poucas vezes a política se lança contra os homens e não é estranho que a política se lance contra mim e por isso eu tenha que ausentar-me da presença de Sua Majestade e até da Espanha” (Carta a D. Manuel Miura, 19.7.65, em EC II, p. 910s).

DEUS AMA O MUNDO

Nem Claret, nem ninguém pôde escolher a época em que gostaria de viver. Nem foi possível controlar as crises sociais ou eclesiais desencadeadas pela política do século XIX. Nem nos últimos anos pudemos evitar as crises que alcança de uma forma ou outra boa parte do nosso mundo.

Diante destas situações podemos lamentar-nos, podemos deixar-nos levar pelo medo, ou ficar quietos e inativos esperando para ver o que acontece. Ou podemos entender que o tempo que Deus nos oferece é o único que teremos e a grande oportunidade que nos oferece para caminharmos pela vida fazendo o bem (cf. At 10,38). As possibilidades são muitas, desde o egoísmo mais extremo até a generosidade mais altruísta.

Considerando a distância do tempo e da cultura, a atitude de Claret diante do mundo continua sendo um exemplo, especialmente quando nos fala da importância de estudar e conhecer bem a sociedade para a qual é enviado a evangelizar (cf. Aut 357). Nem ele, nem nós vivemos fora do mundo. E trata-se do mundo e das pessoas a quem Deus ama tanto que enviou seu Filho para que todos possam viver com a dignidade que somente Ele pode oferecer-nos (cf. Jo 3,16).

“Haverá novidades”, escrevia Claret, confessor real. Nem ele, nem ninguém podia prever exatamente como e quando chegariam estas novidades. O que ele fez, e seu exemplo nos convida a fazer, é termos a consciência do mundo em que estamos vivendo, que tipo de sociedade vai emergindo atualmente. E perguntamos como podemos fazer visível o amor de Deus no mundo e na sociedade de hoje e de amanhã.

Partilho plenamente a visão de Jesus de que Deus olha o mundo e todas as pessoas com amor? Como se traduz esta convicção em minha vida concreta?