Leão XIV: que a Igreja seja um lugar seguro, livre de medos, suspeitas e desconfianças

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“Para que exista uma verdadeira experiência de amor com o Senhor, é necessário que existam espaços seguros.” O Papa Leão XIV foi muito claro ao se referir a um dos aspectos que, hoje, favorecem a obra evangelizadora da Igreja. Essas palavras foram dirigidas pelo Pontífice aos quarenta membros do Ceprome, recebidos na sala anexa da Sala Paulo VI, no Vaticano, na manhã desta quarta-feira, 17 de junho, antes da Audiência Geral. A ocasião do encontro foram os dez anos de atividade dessa instituição multidisciplinar dedicada ao combate dos abusos e à promoção de uma cultura do cuidado no contexto eclesial da América Latina.

 

Leão XIV recordou-lhes que todas as pessoas são chamadas a viver um encontro com Jesus, como aquele vivido pelos seus primeiros discípulos, que ficaram fascinados por Ele, e explicou que o trabalho de prevenção realizado pelo Ceprome assume uma relevância particular justamente nesse contexto. “O encontro com Cristo nos marca positivamente e nos impulsiona para uma vida plena de amor e liberdade, enquanto acontece exatamente o contrário nas situações de abuso, que provocam feridas traumáticas capazes de condicionar e limitar o desenvolvimento espiritual e humano da pessoa”, afirmou o Papa.

 

A dor de quem foi ferido

 

Ao fazer referência também à sua recente viagem apostólica à Espanha, o Pontífice recordou ter abordado o drama dos abusos juntamente com os bispos locais, aos quais falou sobre a “dor daqueles que foram feridos por quem deveria ter cuidado deles, situações às quais a comunidade eclesial é chamada a responder com escuta, verdade, justiça, reparação e um compromisso cada vez mais firme com a prevenção e a cultura do cuidado”. Ao mesmo tempo, o Papa sublinhou que essa responsabilidade não diz respeito apenas à hierarquia da Igreja, mas a todos os fiéis; por isso, quis destacar e agradecer o trabalho realizado em toda a América Latina pelos profissionais, sejam leigos, consagrados ou clérigos, que colaboram com o Ceprome.

 

Fortalecer as redes de colaboração

 

Por fim, o Papa Leão os encorajou a continuar fortalecendo as redes de colaboração entre as Igrejas locais e as instituições civis de cada país, manifestando o desejo “de que todos os espaços na Igreja, sejam eles físicos ou virtuais, sejam verdadeiramente lugares de encontro fecundo com Jesus Cristo, livres de medos, suspeitas ou desconfianças”.

 

Gratidão ao Papa e renovação da missão

 

O sacerdote Daniel Portillo, teólogo e psicólogo, presidente do Ceprome, agradeceu emocionado ao Papa Leão pela acolhida e pelas palavras de encorajamento recebidas, expressando uma avaliação positiva da primeira década de atividades da organização, da qual ele próprio contribuiu para a fundação.

 

“Num primeiro momento, a Igreja respondeu à crise dos abusos apenas a partir de uma perspectiva jurídica e psicológica, mas esse fenômeno é muito mais complexo e compreendemos que era necessária uma abordagem interdisciplinar”, explica Portillo. “Por isso, fomos integrando progressivamente outras dimensões que nos permitiram acolher e acompanhar as vítimas de forma mais completa em seu processo de cura. Além disso, chegamos à convicção de que intervenções pontuais não eram suficientes, mas que era necessário promover uma verdadeira cultura do cuidado e da prevenção no contexto eclesial.”

 

O desafio da Inteligência Artificial

 

Ao longo de seus dez anos de existência, o Ceprome formou mais de 15 mil pessoas em toda a América Latina por meio de cursos presenciais e a distância, seminários e congressos internacionais. A organização conta ainda com quinze publicações dedicadas a temas como Direito Canônico e Penal, psicologia, psiquiatria, teologia pastoral e moral, comunicação com a mídia e com as vítimas, ética, informática e o mundo digital, este último tornando-se uma das áreas mais demandadas pelas comunidades eclesiais nos últimos anos.

 

“Todos os dias surgem novas realidades que nos interpelam e, atualmente, estamos aprofundando o vasto universo da Inteligência Artificial, que está em pleno desenvolvimento”, explica ainda o presidente Portillo. “Em nossos últimos encontros formativos, especialistas de alto nível nos ajudaram a compreender como a IA pode ser, ao mesmo tempo, uma grande ameaça para crianças e adolescentes, mas também uma oportunidade para fortalecer a proteção no âmbito eclesial. No entanto, é urgente formar-se e informar-se, e nós assumimos esse desafio como parte essencial da nossa missão, para que todos possam ter acesso a esses conhecimentos por meio de conteúdos de alta qualidade”, assegura o sacerdote, que também quis dirigir um pensamento de gratidão ao Papa Francisco, que definiu os membros do Ceprome como “apóstolos da prevenção”.

 

Fonte: Vatican News

Fotógrafo: Reprodução de imagem Vatican News

 
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